sábado, 30 de janeiro de 2010

ZUZU ANGEL.

ZUZU ANGEL.

Zuleika Angel Jones, conhecida como Zuzu Angel, (Curvelo, 5 de junho de 1923Rio de Janeiro, 14 de abril de 1976) foi uma estilista brasileira, mãe do militante político Stuart Angel Jones e da jornalista Hildegard Angel.
Mudou-se quando criança para Belo Horizonte, tendo em seguida morado na Bahia. A cultura e cores desse estado influenciaram significativamente o estilo das suas criações. Pioneira na moda brasileira, fez sucesso com seu estilo em todo o mundo, principalmente nos Estados Unidos.
Em 1947 foi morar no Rio de Janeiro e nos anos 50 iniciou seu trabalho como costureira, quando fazia roupas principalmente para alguns familiares próximos. No princípio dos anos 70 abriu uma loja em Ipanema, quando começou a realizar desfiles de moda nos EUA. Nestes desfiles sempre abordou a alegria e riqueza de cores da cultura brasileira, fazendo sucesso no universo da moda daquela época.
Nos anos 70, seu filho Stuart, ativista comunista, foi preso e morto nas dependências do DOI-CODI. O corpo de Stuart nunca foi encontrado.
A partir daí, Zuzu entraria em uma guerra contra o regime pela recuperação do corpo de seu filho, envolvendo até os Estados Unidos, país de seu ex-marido e pai de Stuart. Essa luta só terminou com sua morte, ocorrida na madrugada de 14 de abril de 1976, num acidente de carro na Estrada da Gávea, à saída do Túnel Dois Irmãos (RJ), em circunstâncias então mal esclarecidas.
O caso de Zuzu foi tratado pela Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, no processo de número 237/96, o governo brasileiro assumindo, em 1998, a participação do Estado em sua morte.
Em homenagem à estilista, o cantor e compositor Chico Buarque compôs, sobre melodia de Miltinho (MPB4), a música Angélica.
Zuzu Angel é um filme brasileiro de 2006, do gênero drama biográfico, dirigido por Sérgio Rezende.
A produção é de Joaquim Vaz de Carvalho, a produção executiva de Heloísa Rezende, a trilha sonora de Cristóvão Bastos, a direção de fotografia de Pedro Farkas, a direção de produção de Laís Chamma e Mílton Pimenta, a direção de arte de Marcos Flaksman, o figurino de Kika Lopes e a edição de Marcelo Moraes.
Conta a história da estilista Zuzu Angel que teve seu filho torturado e assassinado pela ditadura militar. Ela também foi morta em um acidente de carro forjado pelos militantes do exército ditatorial em 1976.

Lamarca.

Lamarca.


Carlos Lamarca (Rio de Janeiro, 23 de outubro de 1937Pintada, 17 de setembro de 1971) foi um militar brasilleiro, que desertou do exército durante a ditadura militar e se tornou um guerrilheiro comunista.
Como guerrilheiro, integrante da Vanguarda Popular Revolucionária, foi, juntamente com Carlos Marighella, um dos principais opositores armados à ditadura militar de direita no país, visando à implantação de um regime socialista no Brasil. Devido a isto, foi condenado por "traição e deserção" pelo Exército Brasileiro. É o unico homem na História do Brasil a receber status de traidor da nação.
Trinta e seis anos após a morte de Lamarca, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça sob supervisão do Ministro da Justiça Tarso Genro dedicou sua sessão inaugural a promovê-lo a coronel do Exército e a reconhecer a condição de perseguidos políticos de sua viúva e filhos. A decisão foi criticada na imprensa, sendo apelidada de "bolsa terrorismo".
Lamarca é um filme brasileiro de 1994, dirigido por Sérgio Rezende e baseado em livro de José Emiliano e Miranda Oldack, de título Lamarca, o capitão da guerrilha, uma biografia do militar e guerrilheiro Carlos Lamarca. A trilha sonora é de David Tygel.
A história começa em dezembro de 1970, quando o ex-capitão do exército brasileiro e grande atirador Carlos Lamarca e seu grupo rebelde auto-denominado "revolucionários" negociam com o Regime Militar, que chamam de "Ditadura", a soltura de presos políticos em troca da vida do sequestrado embaixador da Suíça, mantido por eles em cativeiro. Trinta presos são soltos e a "repressão" aumenta a perseguição aos guerrilheiros, comandadas por um general do Exército e o delegado civil Flores (referência ao delegado da vida real Fleury), que se apresenta como o matador de Marighella e outros "subversivos" e não hesita em torturar seus prisioneiros para obter informações. Os dirigentes do grupo de Lamarca querem que ele saia do Brasil, mas ele não aceita. Lamarca vai então para a Bahia, acompanhado da amante e também militante Clara, para se encontrar com os aliados da guerrilha Zequinha e seus irmãos. Eles o escondem em um sítio no interior do estado. Enquanto espera para se encontrar com os demais guerrilheiros para organizarem um levante rural, Lamarca lembra de momentos do seu passado, da experiência marcante de quando serviu como soldado da ONU no Canal de Suez que o fez se revoltar contra os "capitalistas", da sua mulher e filhos que enviara para Cuba e do campo de treinamento de guerrilheiros que criara no Vale do Paraíba em São Paulo.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Cinema.

→ Cinema.


O cinema é a técnica de projetar fotogramas (quadros) de forma rápida e sucessiva para criar a impressão de movimento, bem como a arte de se produzir obras estéticas, narrativas ou não, com esta técnica. Compreende, portanto, uma técnica, uma forma de comunicação, uma indústria e uma arte.
Estabelecer marcos históricos é sempre perigoso e arbitrário, particularmente, no campo das artes. Inúmeros fatores concorrem para o estabelecimento de determinada técnica, seu emprego, práticas associadas e impacto numa ordem cultural. Aqui serão apresentados alguns, no intuito de melhor conhecer esta complexa manifestação estética a qual muitos chamam de a 7ª Arte. De facto, a data de 28 de Dezembro de 1895, é especial no que refere ao cinema, e sua história. Neste dia, no Salão Grand Café, em Paris, os Irmãos Lumière fizeram uma apresentação pública dos produtos de seu invento ao qual chamaram Cinematógrafo. O evento causou comoção nos 30 e poucos presentes, a notícia se alastrou e, em pouco tempo, este fazer artístico conquistaria o mundo e faria nascer uma indústria multibilionária. O filme exibido foi L'Arrivée d'un Train à La Ciotat.
A primeira exibição de cinema no Brasil aconteceu em julho de 1896, no Rio de Janeiro, poucos meses após o invento dos Irmãos Lumière. Um ano depois já existia no Rio uma sala fixa de cinema, o "Salão de Novidades Paris", de Paschoal Segreto. Os primeiros filmes brasileiros foram rodados entre 1897-1898. Uma "Vista da baia da Guanabara" teria sido filmado pelo cinegrafista italiano Alfonso Segreto em 19 de Junho de 1898, ao chegar da Europa a bordo do navio Brèsil - mas este filme, se realmente existiu, nunca chegou a ser exibido. Ainda assim, 19 de Junho é considerado o Dia do Cinema Brasileiro.
No seu livro Cinema e História, Marc Ferro faz uma leitura cinematográfica da história e uma leitura histórica do cinema, demonstrando as relações nem sempre pacíficas entre o cinema e a história.
Marc Ferro analisa o cinema como agente da história: os documentários, assim como as obras ficcionais, são nessa interpretação construções do discurso; manipulando-se a informação obtém-se um precioso instrumento de propaganda. Importante contribuição teórico-metodológica na utilização do cinema como fonte para a pesquisa histórica.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A CIVILIZAÇÃO ROMANA.

A CIVILIZAÇÃO ROMANA.

A cidade de Roma, localizada no centro da península Itálica, região do Lácio, conta com duas explicações de sua origem: a primeira, retirada das obras História de Roma, de Tito Lívio, e Eneida, do poeta Virgílio, assinala que a cidade foi fundada em 753 a.C. pelos irmãos Remo e Rômulo; já a segunda explicação afirma que, historicamente, a fundação de Roma deu-se por volta de 1000 a.C. e é atribuída aos latinos.
Num primeiro momento de sua evolução política, Roma foi uma Monarquia, na qual o rei era o dirigente supremo, auxiliado pelo Senado. Nessa época, a sociedade romana dividia-se em patrícios, plebeus, clientes e escravos, mas somente os patrícios tinham à vida política em Roma.
Após um período de dominação etrusca, apoiada pelo rei, a aristocracia romana proclamou a República. Nela, o Senado detinha o poder quase absoluto, apesar de existirem outros órgãos (o Consulado, a Ditadura, a Assembléia Centurial e a Assembléia Curiata) e funções administrativas (pretores, censores e edis).
As desigualdades sociais existentes em Roma provocaram uma série de levantes envolvendo, especialmente, plebeus que reivindicavam maiores possibilidades de participação política. Tais levantes populares conseguiram estabelecer uma igualdade jurídica na sociedade romana, apesar da permanência das desigualdades socioeconômicas.
Roma, entre os séculos V a.C. e III a.C., conquistou diversos territórios, constituindo um vasto império. Para isso, teve de derrotar os cartagineses nas Guerras Púnicas e estabelecer seu controle sobre o mar Mediterrâneo. As conquistas romanas, além de ativar o espírito nacionalista, minimizando os conflitos sociais, tiveram uma série de efeitos que modificou o caráter da sociedade romana e promoveu a crise do regime republicano.
Durante a crise, verificou-se a polarização dos grupos: de um lado, a aristocracia (conservadora) e, de outro, o partido popular (reformista). Os irmãos Graco, pertencentes ao segundo grupo, ainda tentaram implementar reformas sociais, sendo porém, perseguidos e mortos pela camada dominante.
Em meio à instabilidade política vivenciada por Roma no século I a.C., foi estabelecido o Triunvirato, governo composto por três pessoas. O primeiro era composto por Júlio César, Pompeu e Crasso e o segundo, por Otávio, Lépido e Marco Antônio. Entre eles, Júlio César conseguiu implantar uma ditadura que, entretanto, preservava as instituições republicanas.
No final do século I a.C., Otávio, ao destituir Lépido e Marcos Antônio do poder, estabeleceu seu domínio sobre o governo, transformando-se no primeiro imperador romano.
A História da Roma Imperial caracterizou-se pela concentração de poder nas mãos de um único indivíduo: o Imperador.
O primeiro Imperador romano foi Otávio Augusto, que durante seu reinado, além de reduzir o poder do Senado, promoveu a política do “pão e circo”, a fim de conquistar o apoio da massa miserável da população de Roma. Conseguiu impor a paz nas fronteiras do império e dar grande impulso ao desenvolvimento econômico.
Os sucessores de Otávio, porém, não foram capazes de dar continuidade ao seu trabalho. Os governos de Tibério, Calígula, Cláudio e Nero caracterizaram-se pelo despotismo, pela corrupção, pelas perseguições, pelo descontrole moral e político.
Calígula chegou a nomear cônsul um cavalo e Nero pôs fogo em Roma.
As dinastias seguintes, dos Flávios e dos Antoninos, não conseguiram reorganizar a turbulência herdada da dinastia Júlio-Claudiana e, a partir desse momento, o Império Romano começa a perder partes de seu império para conquistadores estrangeiros.
Com a dinastia dos Severos, tem início o período de desagregação do Império Romano. Uma situação de crise abateu-se sobre Roma, e seus governantes não souberam contorná-la. O enfraquecimento do império facilitou a penetração dos estrangeiros, chamados de bárbaros pelos romanos.
Em termos culturais, o Direito foi o mais importante legado romano. Ainda hoje muitas das leis em vigor no mundo Ocidental têm por fundamento o antigo Direito romano.
Já no plano artístico, a cultura romana apresentou significativa influência grega, tanto na literatura como na escultura, arquitetura ou pintura.
Na literatura, alguns nomes merecem ser mencionados: Cícero, Virgílio, Horácio, Ovídio, Tito Lívio e Tácito. O idioma dos romanos, o latim, deu origem às línguas latinas: italiano, espanhol, português, romeno e francês.
Nas ciências, destacaram-se Plínio, o Velho, com sua História Natural, e Celso, na medicina.
Também a primitiva religião romana assumiu traços da grega, igualmente Politeísta e Antropomórfica. Algumas divindades latinas confundiam-se com as gregas, como Júpiter e Zeus, Juno e Hera, Vênus e Afrodite, Baco e Dionísio, Diana e Ártemis.
Durante o período Imperial da História romana surgiu e desenvolveu-se uma nova religião que marcaria profundamente o mundo ocidental: o Cristianismo.
O Cristianismo surgiu na Palestina, onde vivia o povo judeu, dominado pelos romanos. No Antigo Testamento (livro sagrado dos judeus) existem profecias que falam da vinda do Messias para salvar a humanidade. Para os judeus, esse Messias ainda não veio.
Já para os cristãos, já veio como o “Filho de Deus”: Jesus Cristo de Nazaré. Jesus, que era judeu de nascimento, pregava a harmonia e a paz entre todos os homens de boa vontade, ao mesmo tempo em que era contrário a qualquer forma de escravidão. Depois que Cristo foi crucificado os discípulo começaram a divulgar sua mensagem. Seus ensinamentos estão no Novo Testamento, a parte final da Bíblia, escrita pelos primeiros discípulos.
No começo, o Cristianismo foi adotado pelos pobres. Por isso, os cristãos foram tão perseguidos pelos romanos. Aos poucos, as classes altas adotaram essa religião. O Imperador romano Constantino se converteu ao Cristianismo em 331 e, mais tarde, em 391, o Imperador Teodósio proibiu outras crenças. Assim, o Cristianismo foi promovido à religião oficial do Império Romano. O Bispo de Roma, o mais importante de todos, tornou-se o Papa.

A CIVILIZAÇÃO GREGA.

A CIVILIZAÇÃO GREGA.

A Antiguidade Clássica difere da Oriental por comportar sociedades em que predominavam as relações escravistas de produção. Nessas sociedades, o Estado achava-se a serviço de uma classe proprietária de terras e de escravos. As mais importantes civilizações desse período foram a Grega e a Romana, que ofereceram as bases das sociedades atuais.
Localizada no Sul do continente europeu, a Grécia apresenta características naturais que favoreceram seu desenvolvimento marítimo-comercial.
O povo grego formou-se a partir da miscigenação entre os habitantes primitivos (pelasgos) e os invasores indo-europeus (aqueus, eólios, jônios e dórios). Foram os cretenses, porém, os primeiros a estabelecer sua hegemonia na região. Povo dedicado ao comércio marítimo, os cretenses eram governados por uma elite liderada por um rei (os reis Minos). Em sua organização social, a mulher tinha um papel importante. A capital cretense, Cnossos, foi destruída por invasores aqueus que estabeleceram a supremacia da cidade de Micenas, por sua vez superada quando invasores dórios implantaram seu domínio.
Do período de formação de Grécia, temos notícias dos poemas épicos Ilíada e Odisséia, atribuídos a Homero. Coma chegada dos dórios, muitos gregos dispersaram-se pelo interior do país, organizando-se em genos, clãs familiares por um pater. Nos genos predominava a propriedade coletiva dos meios de produção.
A desintegração dos genos gerou as polis, cidades autônomas governadas por reduzido grupo de proprietários de terras e de escravos, das quais Esparta e Atenas se destacaram.
A cidade de Esparta, localizada ao sul do Peloponeso, destacou-se por sua tradição guerreira. Fundada pelos dórios, sua população achava-se dividida em Espartanos, que compunha a elite dominante; Periecos, grupos pouco expressivo de pequenos comerciantes; e Hilotas, trabalhadores submetidos à escravidão.
O governo era monopolizado pela elite (oligarquia) que, através da Apela, da Gerúsia, do Eforato e da Diarquia, impedia o acesso da população à vida política. O imobilismo social em Esparta era garantido por um rígido sistema educacional que preparava, desde cedo, os indivíduos para a atividade militar.
A cidade de Atenas, por sua vez, caracterizou-se pela importante atividade marítimo-comercial. Localizada na Ática, região favorecida por seus portos, Atenas foi fundada pelos jônios no final do período homérico.
A sociedade ateniense era composta por quatro camadas: os Eupátricas, grupo que detinha o poder econômico e político, os Paralianos, comerciantes enriquecidos pelo desenvolvimento comercial da cidade, os Diacrianos, camponeses das áreas montanhosas, os Escravos e os Metecos.
Os constantes conflitos sociais tornaram necessárias reformas legislativas. Drácon, o primeiro legislador, tentou conter a ebulição social através de aplicação de penas mais severas aos infratores, enquanto Sólon, além de determinar o fim da escravidão por dívidas, estabeleceu o critério censitário para a participação na política ateniense.
Diante do fracasso dessas reformas, estabeleceu-se a tirania em Atenas. Os tiranos, dos quais Pisístrato foi o principal representante, tomaram o poder pela força e exerceram-no de maneira absoluta.
Apesar de Pisístrato ter favorecido o desenvolvimento comercial da cidade, seus sucessores não conseguiram harmonizar os interesses entre os diversos grupos sociais. Somente durante o governo de Clístenes, que assumiu o poder em 510 a.C., efetivou-se um plano de reformas políticas que garantiu a participação de uma parcela maior da população ateniense: todos os cidadãos maiores de 18 anos teriam acesso às decisões políticas. Implantava-se a Democracia ateniense. Mulheres, escravos e estrangeiros, entretanto, não possuíam direitos políticos.
O expansionismo persa sobre a região grega da Ásia Menor deu início às Guerras Médicas, em 494 a.C. Após diversas batalhas, os gregos livraram a península Balcânica de ameaça inimiga, conseguindo o reconhecimento persa do predomínio grego sobre o mar Egeu.
A vitória sobre os persas estabeleceu, porém, a hegemonia de Atenas sobre as demais cidades gregas. Foi o período do apogeu ateniense, época de Péricles, em que surgiram crescentes conflitos com outras polis. Esparta, liderando outras cidades gregas, organizou a Liga do Peloponeso, dando início às Guerras do Peloponeso.
Sucederam-se, então, inúmeros combates entre as cidades, esgotando o poderio grego, cuja vulnerabilidade permitiu que, em 338 a.C., Filipe II da Macedônia, invadisse e estabelecesse a preponderância sobre a Grécia. Filipe II foi sucedido por seu filho Alexandre, o Grande, que conquistou à Síria, a Fenícia, a Palestina, o Egito, a Pérsia e parte da Índia. Logo após a morte de Alexandre, conflitos internos pelo poder acabaram por enfraquecê-lo e dividi-lo, possibilitando a conquista romana.
A Civilização Grega legou ao mundo importante acervo artístico-cultural, que forneceu as bases sobre as quais se assenta nossa cultura ocidental.
O homem era, no pensamento grego, o centro do universo (antropocentrismo), e a razão humana, o meio de se chegar ao conhecimento.
A religião grega era politeísta e antropomórfica. Os Deuses na Grécia Antiga só se distinguiam dos homens porque eram imortais. De resto, revestiam-se de todas as características humanas.
Nas artes, os gregos revelaram sua genialidade: teatrólogos, arquitetos e escultores deixaram obras importantes para as gerações futuras. Alguns nomes merecem destaque, como Ésquilo e Sófocles, no teatro; Calícrates, na arquitetura; Fídias e Míron, na escultura. A arte grega preocupava-se em realçar o real, a simplicidade, a harmonia e o equilíbrio.
Na literatura destaca-se o nome de Homero, provável autor dos poemas épicos Ilíada e Odisséia. Heródoto e Tucídides destacaram-se na recuperação do história do povo grego.
A filosofia foi outra área da cultura grega à qual se dedicaram muitos pensadores. Dentre eles destacaram-se os nomes de Tales, Anaxímenes e Anaximandro, pertencentes à Escola de Mileto, Pitágoras e seus discípulos, os sofistas e os socráticos (Sócrates, Platão e Aristóteles).
Nas ciências, Tales de Mileto e Pitágoras são conhecidos por suas contribuições à matemática, enquanto Anaximandro e Aristóteles dedicaram-se à biologia, e Hipócrates, à medicina.
O advento do Helenismo deu um novo caráter à cultura grega, a qual passou a contar com diversos elementos da cultura Oriental.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Escutatória

Escutatória

Rubem Alves
Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar... Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil.
Diz Alberto Caeiro que "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma". Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia. Parafraseio o Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma".
Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor... Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração... E precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade. No fundo, somos os mais bonitos...
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios: reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio.
Vejam a semelhança... Os pianistas, por exemplo, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio... Abrindo vazios de silêncio... Expulsando todas as idéias estranhas. Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos... Pensamentos que ele julgava essenciais.
São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se eu falar logo a seguir...
São duas as possibilidades. Primeira: fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado. Segunda: ouvi o que você falou. Mas, isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou. Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.
O longo silêncio quer dizer: estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou. E, assim, vai a reunião. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir.
Fernando Pessoa conhecia a experiência... E se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras... No lugar onde não há palavras.
A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia... Que de tão linda nos faz chorar. Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio.
Daí a importância de saber ouvir os outros: A beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Literatura de Bolivia.

Literatura de Bolivia.

La constante agitación política que ha vivido Bolivia a lo largo de su historia (revoluciones, golpes de estado, guerras civiles, guerras con países vecinos, etc.) ha perjudicado el desarrollo intelectual del país. Muchos talentos tuvieron que emigrar o fueron ahogados por la convulsión interna.
En los últimos años la literatura de Bolivia se encuentra en un proceso de crecimiento, con la aparición de nuevos escritores, aunque sin olvidarse de los antiguos, como Adela Zamudio, Óscar Alfaro y Franz Tamayo, escritores de renombre nacional.
Escritores
Nataniel Aguirre
Óscar Alfaro
Víctor Hugo Arévalo Jordán
Alcides Arguedas
Alcira Cardona
Oscar Cerruto
Armando Chirveches
Adolfo Costa Du Rels
Gary Daher Canedo
Antonio Díaz Villamil
Javier del Granado
Ricardo Jaimes Freyre
Raul Otero Reiche
Jesús Lara
Juan Claudio Lechín
Asunta Limpias de Parada
Porfirio Diaz Machicao
Carlos Medinaceli
Jaime Mendoza
Víctor Montoya
Gustavo Navarro
Enrique Finot
Gabriel René Moreno
María Josefa Mujia
Gustavo Navarro
Gustavo Adolfo Otero
Natalia Palacios
Manuel Rigoberto Paredes
Miguel Lundin Peredo
Renato Prada Oropeza
Fausto Reinaga
Jaime Sáenz
Pedro Shimose
Gastón Suárez
Franz Tamayo
Victor Hugo Vizcarra
Juan Wallparrimachi
Adela Zamudio
Los pueblos de Bolivia cuentan con una rica tradición oral, manifestada en mitos, leyendas, cuentos, etc. que por desatención, aún no han sido puestos en el papel.
Anteriormente la población boliviana estaba compuesta en su mayoría por indígenas, pero ahora ha cambiado, hoy la gran mayoría es mestiza y esto ha llevado a enriquecer la literatura nacional con matices criollos o de otra índole para que se convierta en lo que apreciamos en la actualidad. Una literatura muy rica, oriunda de las tierras bajas (amazonia) y también de los andes bolivianos.